A nova jornada

Sorrisos = sorrisos forçados. Conversas = conversas sem nexo algum ou sem nenhuma produtiva. Mãos = mãos em lugares impróprios desde o primeiro encontro. Abraços = abraços com segundas intenções.  Amélia já estava cansada do mesmo ritual de sempre, ou seja, conhecer, encontrar e isso não lhe proporcionar nenhum sentimento bom, apenas as mesmas coisas de sempre, momento este que cogitou que sempre seria a mesma coisa, isto é, teria interesse em alguém, iria conhecer tal pessoa e ao conhecer descobriria que essa pessoa teria o manual do ritual: “como ser desinteressante em 10 segundos”.
Amélia se perguntava quando conheceria alguém interessante. A mesma já havia conhecido e namorado pessoas de todos os tipos, e diga-se de passagem que tipos de pessoas! Creio que ela sempre tinha a esperança de de  que as pessoas pudessem ser melhores, e por isso, sempre tentava, de todas as formas possíveis, encontrar uma forma de dar certo.
E sempre foram as formas erradas. Amélia se anulava como indivíduo e passava a se tornar mais daquela pessoa do que qualquer coisa. Perdoava os erros e até mesmo dizia que tais erros era por sua e exclusiva culpa.
Até que no fim de cada relacionamento o seu coração era quebrado em pedacinhos. Pedacinhos que foram se amontoando, amontoando e amontoando até que Amélia pensava que jamais poderiam se colar novamente.
Se ela fosse elaborar uma lista de todos os caras que ela já se envolveu, o único que salvaria seria seu primeira namorado. Talvez por terem 14 anos na época o motivo pelo qual não tinham dado certo seria o fato de serem imaturos e ainda não saberem porque realmente estavam juntos. E com o passar do tempo, ele não era mais seu ex, e sim um grande amigo. E amigos ocupam lugares bonitos e eternos. E não doeu, não marcou, não machucou, ao contrário ensinou a ela coisas que ao passar do tempo se tornaram nítidas e figuradas, como uma bela fotografia de uma casa edificada.
Gostaria de dizer que os outros relacionamentos de Amélia foram dessa forma… Mas nem tudo é perfeito. Nem todos foram verdadeiros, confiáveis e leais. Nem todos eram aquilo que realmente eram. Máscaras eram usadas e sentimentos disfarçados. Talvez se Amélia não tivesse o coração tão bom e não acreditasse em todos “eu te amo” isso não teria acontecido, mas… Se ela assim não fosse, não seria metade da pessoa que é hoje.
Choros de madrugada. Lágrimas intermináveis em seu travesseiro. Noites sem dormir. Momentos que pareciam que durariam para sempre. Uma dor que parecia incurável. Porque quando somos jovens e temos decepções de amor parece que vão durar para sempre? Ainda bem que o nosso achismo não é verdadeiro. Quando menos se espera, cicatriza.
Até que um dia cicatrizou e Amélia voltou a vida normal. A vida normal e os diversos encontros frustrados.
Há uma coisa sobre  a Amélia que ainda não foi dita: apesar de tudo ela sempre acreditou que ainda haveria alguma chance de ser feliz. Menina boba como muitos chamariam ela, mas quem disse que ela se importava?
E lá ia Amélia de novo. Sair, conhecer pessoas novas (ou pessoas velhas já que eram como as demais que ela já havia conhecido) e de novo se lançar com o coração aberto para a vida.
Até que um dia aconteceu. E foi como sua avó dissera várias vezes: “você não é a mesma de antes, quando você olhar vai saber que é ele”. Amélia não acreditava em sua vó, já que achava impossível saber quando vale a pena. E por incrível que pareça naquele dia ela soube o quanto valeria e o quanto ela seria boba senão se arriscasse.
Era um dia normal, com pessoas normais e um lugar normal em que ela o viu novamente.
Sim, Amélia já havia visto aquele garoto em outra ocasião. Ocasião esta em que estava tão perdida, tão introspectiva, tão sozinha e tão imune a tantas coisas que apenas o observou de longe, reparou em cada pequeno detalhe e o deixou passar. Amélia nunca foi tão corajosa, ela tinha medo. Um medo que todas as suas amigas abominavam e viviam dizendo que ela deveria arriscar, mas ela não conseguia se olhar com os mesmos olhos que suas amigas a olhavam. Amélia não se sentia suficiente, metade por tudo que já havia passado e outra por nunca ter tido autoconfiança. Autoconfiança era uma palavra desconhecida para ela.
Até que teve a chance novamente. E dessa vez, mesmo não tendo confiança nenhuma em si mesma, ela fez o que suas amigas que estavam com ela disseram: “procure por ele”.
E foi isso que ela fez. Não digo a vocês que foi uma procura fácil. Você não sabe o nome, não sabe o sobrenome, não sabe a idade, só duas coisas possíveis ela sabia: que provavelmente (e inevitavelmente)  eram da mesma cidade e que poderiam ter estudado na mesma escola. E lá foi Amélia utilizar da rede social que abomina: facebook. E pela primeira vez, em cinco anos, ela elogiou o sistema de procura do facebook. Depois de aproximadamente uma hora ela o encontrou.
Sim, ela o encontrou. Teve a certeza de que era ele quando viu sua página umas seis vezes. Ela é meio complexada com números pares, acredita que o mesmo atrai sorte… Porque duvidar, não é mesmo?
E assim foi o desenvolver: adicionou; esperou que ele a aceitasse; aguardou uns dias (segundo sua amiga ele demonstraria interesse se curtisse alguma foto sua e o que ela fez? aguardou que isso acontecesse); ele curtiu a foto dela (e a primeira coisa que ela fez foi chamar as amigas pra mostrar que ele havia curtido duas fotos sua, e a amiga dela, a Lise, disse a seguinte frase: “se ele curtiu duas, tá interessado, chama ele pra conversar”); ela enviou por mensagem pessoal um simples “oi, tudo bem?” (e novamente chamou suas amigas e Lise a primeira a se manifestar: “agora demora pra responder pra ele não pensar que você é fácil e que tá na dele”); ela demorava horas e até esperava um dia pro outro para respondê-lo (se foi sua amiga que deu o conselho, não seria de todo ruim, não é mesmo? esse era o pensamento de Amélia, já que das outras vezes que tinha mostrado interesse algo não dava certo, o que remetia ao manual do ritual dos encontros frustrados); após alguns dias trocaram número de celular, Amélia dizendo que responderia mais rápido via whatssap, o que de fato não aconteceu, tendo ele ligado pra ela no sábado. Amélia é muito organizada com datas, ou seja, esse sábado era dia 19 de dezembro de 2015. E marcaram de se encontrar no dia 20 de dezembro de 2015.
Ele viria até sua casa buscá-la. Ele… O nome dele para que todos saibam é Bento. Bento viria até sua casa buscá-la. Amélia tinha medo que novamente fosse um encontro com o manual do ritual dos encontros frustrados, mas por incrível que pareça não o foi.
Não havia sorrisos forçados, eram mais espontâneas do que aqueles que damos em uma comédia de stand up; as conversas não eram sem nexo, sem conteúdo ou sem produtividade do tipo: “ah, legal”, “ah, mas é engraçado isso”, “que bom” ou aquelas comuns que todos os rapazes tem só pra conseguirem no final da noite ganharem a garota.
Ele foi totalmente diferente. Bento era diferente e Amélia reconheceu nele tudo aquilo que procurava.
E pela primeira vez tudo foi diferente.
Não apenas diferente para Amélia, mas para Bento. Bento ainda tinha medo. Tinha medo de se apaixonar e se entregar a uma pessoa. E aos poucos, tanto ele como Amélia, foram se encontrando e estabelecendo um vínculo. Um vínculo singelo e sincero.
Os beijos eram diferentes. Os abraços eram diferentes. E todos os encontros, depois do primeiro, foram incríveis.
Amélia se redescobriu como pessoa. Se redescobriu como mulher. E a partir daquele momento soube que a felicidade é algo pelo qual se deve buscar, sem ter medo ou precipitação. A felicidade acontece quando menos se espera e quando domina a pessoa é a melhor sensação do mundo.
Pela primeira vez Amélia foi beijada com amor, desejada com carinho, tratada como uma mulher de verdade, elogiada de forma sincera e sem segundas intenções… Pela primeira vez Amélia soube o que é amar de verdade… E como ser amada de verdade.
Amélia e Bento apenas estão começando uma jornada juntos. Uma longa jornada em que ambos estão comprometidos a seguir e trilhar juntos.
E o nome desse comprometimento se simplifica pela palavra amor. O amor que um tem pelo o outro.

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