Recomeçar

E lá estava eu. Sentada em um banco qualquer, de uma praça qualquer, de uma cidade qualquer, de uma forma qualquer vendo cada pessoa qualquer passar por mim.
Era uma quinta, eu me recordo. Era uma quinta qualquer de uma tarde qualquer, como todas as outras, até determinado momento. Até que uma pessoa qualquer sentou ao meu lado.
Como uma pessoa qualquer pode ser tão linda desse jeito?
E bem logo foi dizendo: “oi, como está? Lindo dia hoje, não é mesmo?” e eu naquele momento apenas o olhei e pensei: “está acontecendo mesmo? É sério que ele está falando comigo” e percebi que ele me olhava com a sobrancelha arqueada e aguardando uma resposta. E dei a minha resposta e depois dessa resposta vieram muitas outras respostas. Recordo-me que foram tantas respostas que o entardecer virou anoitecer, e sem perceber aquela pessoa já não era uma pessoa qualquer, aquele dia não era um dia qualquer e que eu não era apenas uma pessoa qualquer.
Éramos diferentes e aquilo era diferente. Tão diferente que ele pediu meu número de telefone e foi tão diferente que eu dei! Ele disse que ligaria às 21h00min e ele ligou às 20h29min. E se foram três horas longas de conversa.
Uma conversa infinita, tão infinita que passou tão rápido.
Passou tão rápido que tive raiva das conversas infrutíferas que demoravam horas pra passar e tomavam tanto tempo.
Eu queria que aquela conversa durasse pra sempre.
Pois:
Nós adoramos sorvete de flocos.
Nós adoramos animas.
Nós adoramos filmes de terror.
Nós adoramos a natureza.
Ele é professor de Português, frequenta a academia três vezes por semana, é voluntário em uma casa de abrigo e ainda por cima acha o meu sorriso lindo. Eu sou escritora, não frequento a academia nenhuma vez por semana, tenho um abrigo para cães abandonados e sem querer eu me apaixonei por aquele sorriso.
Ele é vegetariano, eu já adoro um frango grelhado. Ele não gosta de pagode, mas ama rock; eu não gosto de sertanejo, mas amo rock. Ele quer ser pai, e eu quero formar uma família.
Ele é alto, eu sou baixa. Ele é loiro, tão claro que parece que podemos ver através dele; eu sou morena, e juntos somos um contraposto.
Ele ama Machado de Assis, e eu sei tudo dele. Ele diz que não gosta de pistache, mas ao saber que eu amo disse que até provaria… mas que poderia não se apaixonar, porque o pistache não é como eu porque se o fosse ele iria se apaixonar, sem dúvidas.
Ele não tem medo, e eu estou aprendendo a não ter.
E toda vez que ele ri, eu percebo que sou engraçada. Percebo que sou engraçada mesmo sendo toda desengonçada.
E depois dessa ligação vieram outras, depois daquele encontro naquela praça qualquer vieram outros, e depois do nosso primeiro beijo vieram os outros.
E percebi que eu não era uma pessoa qualquer. E que ele não era uma pessoa qualquer. Éramos para dar certo.
Éramos para acontecer.
Pertencemos um ao outro.
Desde aquele: “oi, como está? Lindo dia hoje, não é mesmo?”.
Não prometemos o infinito, mas prometemos o presente.
E a partir desse momento eu vi tudo recomeçar.
E pela primeira vez nenhum lugar é um lugar qualquer desde que o conheci.

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