A certeza

Você sempre pensou que fosse ele. Sabe quando você acha que encontrou a pessoa certa, na hora certa, no tempo certo, no segundo certo… Resumindo: parecia ser tudo certo?
Você se sente segura, sente como se nada no mundo fosse capaz de atingi-la ou destruí-la pelo simples fato de que você, apesar de qualquer coisa que pudesse acontecer, teria aquela pessoa ao seu lado? A sua pessoa certa. E só de tê-la ao seu lado tudo se tornaria fácil, como se nenhuma dor fosse capaz de adentrar em seu interior porque ela seria seu escudo.
E ela se torna tudo.
Absolutamente tudo.
Você começa a criar esperanças de que aquele amor é único e que jamais haverá alguém como ele. Começa a imaginar como seria uma vida ao lado daquela pessoa. Começa a cogitar hipóteses de qual cor poderiam pintar as paredes da cozinha ou que nome dariam ao pequeno cachorro que iriam adotar. Começa a imaginar como seria a vida de vocês ao longo dos anos. Começa a criar sua “playlist” das músicas que são o tema do casal. Começa a seguir no instagram aquele famoso ateliê que cria os melhores vestidos de noiva e sem querer (ou querendo) já se imagina entrando na igreja com um daqueles modelos. Já inicia a sua lista de convidados e o buffet (e no buffet não pode ter derivados de peixe porque ele, o cara certo, odeia… e mesmo gostando você irá abrir mão porque quer vê-lo feliz) e assim em menos de alguns meses você já tem a vida toda de vocês construída e idealizada em todas as bases imaginárias possíveis.
E aí acontece.
O cara certo não era tão certo o quanto parecia.
As verdades eram mentiras. O amor era ironia. O carinho era falso. Os presentes tão baratos quanto uma bolsa da louis vuitton falsificada. Os “eu te amo” nada mais eram do simples palavras proferidas em um simples estado de embriaguez de alma. E você mais uma vez se sente perdida.
E todos aqueles sonhos construídos desmoronam como se fossem simples castelos de areia que a água do mar leva sem ao menos pedir licença.
E lá vai você recolher pedacinho por pedacinho de cada sonho que sonhou. E se culpa. Se culpa a todo momento e profere as seguintes palavras: “burra, burra, burra” e demais palavras… palavras que melhor nem serem proferidas.
E percebe que o certo nem sempre é o certo.
Percebe que literalmente “tampou o sol com a peneira” e que se deixou levar por seus sonhos. Sonhos dos quais não deve ter vergonha, mas sim coragem o suficiente para sonhá-los com alguém que esteja disposto a sonhar conjuntamente. Sonhos precisam se somar, senão se somam são apenas ilusões.
E não precisamos encher ainda mais nossos carinhos de sonhos ilusionados. Precisamos encher nossos carinhos de sonhos carecidos de verdade.
E depois de recolher todos os seus pedacinhos, você se impulsiona, você se descobre e percebe que haverá alguém disposto a sonhar com você.
E por incrível que pareça ele não é o cara certo.
Ele é o cara incerto, tão incerto que fazem todos os seus sonhos serem certos e concretos. Porque é esse cara incerto que estende a mão a você e diz que não há nada de errado em ser quem você é e que por incrível que pareça, além dele, o mundo todo vê o quão maravilhosa você é…
E é nesse momento que você percebe que nem tudo para dar certo necessariamente tem que ser o certo.

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