Mudança de estação

Durante toda vida vi meus pais trabalharem muito. Minha mãe foi de professora a bancária e meu pai sempre foi metroviário, mas antes disse foi muitas coisas. Sempre trabalhando e sempre batalhando.

Levantavam as 4h e iam dormir as 12h. Sempre ônibus lotado, trem e metrô mais lotados ainda e de uma forma ou de outra eu tinha a certeza que comigo não seria diferente. De fato, em menos tempo do que pensei eu estava emprega em um lugar que era do outro lado da cidade.

Quem é de São Paulo sabe que o mais normal do mundo é atravessar a cidade para trabalhar. Já que 90% dos escritórios são na zona sul e o restante do mundo não mora na zona sul, pelo menos não parte onde os escritórios ficam.

Pois bem, por mais de um ano eu ouvi pessoas dizendo o quão absurdo era eu ter de sair de casa tão cedo e chegar tão tarde. Pessoas que levavam quase tanto tempo para chegar no escritório quanto eu mesma. Afinal de contas, trabalhar ao lado de um dos shoppings mais caros da capital tem seu preço.

E durante todo esse tempo eu abri mão de muitas coisas, mas sempre com a consciência de que a vida é assim e que o plano natural das coisas é esse. Pois bem, fui demitida.

Não vou entrar em detalhes sobre a minha demissão, mas vou dizer que não chorei e nem me senti mal sobre ela. Apenas acontece. Acontece com a maioria das pessoas e muitas vezes não é a nossa culpa. E cabe a nós pensar quais foram os benefícios e quais os malefícios disso tudo.

Na verdade eu estou em posição de perder meu emprego agora, não estou dizendo que é algo bom. Algumas pessoas não podem perder o emprego e eu entendo isso. Mas a questão é que ao perder meu emprego eu percebi quantas coisas eu havia deixado para trás quando o consegui.

Deixei minha vida em muitos aspectos foram deixados de lado por conta da falta de tempo e péssimos hábitos surgiram justamente por contas das frustrações que vieram com o emprego novo. Acreditem ou não mas comprar pode se tornar uma terapia quando você não sabe o que fazer e para mim se tornou. Quando algo me deixava mal, eu comprava, pois ao comprar livros eu me sentia “feliz” de novo.

Eu engordei, dei menos atenção aqueles que amava. Chorei em todos os lugares de São Paulo só para não chorar em casa. Rezei sem rezar de verdade. Reclamei, murmurei e julguei mais que nunca.

Por um lado trabalhar também foi bom, assim como ser demitida. Aprendi a amar minha profissão pelas simples tarefas que ela oferece. Conheci pessoas, algumas maravilhosas, outras nem tanto.

E mais que tudo, aprendi a confiar. Confiar em mim e confiar em Deus. E no fim de tudo essa foi a diferença.

 "1 Debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa: 2 Tempo para nascer e tempo para morrer. Tempo para plantar e tempo para arrancar a planta. 3 Tempo para matar e tempo para curar. Tempo para destruir e tempo para construir. 4 Tempo para chorar e tempo para rir. Tempo para gemer e tempo para bailar. 5 Tempo para atirar pedras e tempo para recolher pedras. Tempo para abraçar e tempo para se separar. 6 Tempo para procurar e tempo para perder. Tempo para guardar e tempo para jogar fora. 7 Tempo para rasgar e tempo para costurar. Tempo para calar e tempo para falar. 8 Tempo para amar e tempo para odiar. Tempo para a guerra e tempo para a paz." (ECLESIASTES 3, 1-8)
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