Amar um coração como o meu?

Eu sempre fui apaixonada pela história da Bela e a Fera, aliás eu sou apaixonada e fascinada com todas as histórias e/ou filmes da Disney, porém o enredo do filme a Bela e a Fera se encontra no topo dos meus filmes prediletos. Talvez seja porque a história não é apenas: a princesa se apaixonou pelo príncipe ou vice-versa, e sim, porque a Bela conseguiu enxergar algo além daquela criatura que se demonstrava rude e inexpressiva. Ela conseguiu enxergar o seu coração.
Sim, a Bela conseguiu enxergar o coração da Fera e a partir desse momento ela o amou. Ela o amou porque ao conseguir enxergar aquele coração, percebeu que ele demonstrava ser algo que não era. Percebeu que naquele coração residia mais do que mágoa, ressentimento ou amargura… Residia também amor.
O que mais me motiva nessa história é que a Bela não se apaixonou por aquilo que a Fera era fisicamente, sendo que a aparência de criatura não impediu que ela se apaixonasse por ele pelo simples fato de que ela o amou exatamente da forma que ele era.
O amou mesmo quando a tratou com ignorância, o amou mesmo quando a tratou com indiferença, o amou mesmo quando não lhe dirigia nem ao menos uma palavra, o amou mesmo quando não havia demonstração recíproca daquele amor e principalmente o amou mesmo nas diferenças existentes entre eles.
E eles tinham diferenças exorbitantes, e mesmo com tais, ela o amou… Tanto é que o amor dela o salvou. E mesmo quando o feitiço poderia não ser revertido e a fisionomia dele continuasse sendo de uma fera ela, naquele último segundo, quando tudo parecia perdido e o feitiço eterno, proferiu o verdadeiro “eu te amo”, um eu te amo que muitas pessoas jamais irão proferir em toda sua vida, pela simples razão: elas amam aquilo que é visível aos olhos, não o que é visível a alma.
Amam aquele rosto perfeito, amam aqueles olhos diferentes, aqueles cabelos designados como perfeitos… Amam aquilo que reluz, amam aquilo que perante uma maioria absoluta de pessoas é classificado como belo e esquecem o verdadeiro significado da palavra amor.
Eu acredito no amor verdadeiro! Eu acredito no amor tipo A Bela e a Fera! Sim, eu acredito.
Eu acredito que o verdadeiro sentido da vida não é encontrar a pessoa perfeita (perfeita =  dentro dos parâmetros absolutos e estúpidos da sociedade), e sim que o verdadeiro sentido é se apaixonar pelo coração da outra pessoa.
É se apaixonar inevitavelmente não pelo o que a pessoa demonstrasse ser, mas amar aquilo o  que ela verdadeiramente é. Aquilo que não transparece aos olhos. É se apaixonar por um gesto, por uma pequena e grande atitude, por um abraço naquele momento em que você mais precisava, por aquele conforto que recebeu naquele momento de angústia, por um apoio que recebeu quando achou que tudo ao seu redor estava perdido. É se apaixonar por aquilo que esta na alma daquela pessoa. É enxergar além daquilo que se vê. É amar aquilo que poucos conhecem, mas que você teve o privilégio de conhecer naquela pessoa.
Eu sempre quis alguém que se apaixonasse por meu coração. Ele pode estar um pouco remendado, um pouco machucado ou até mesmo um pouco duro em face de tudo aquilo que ele já passou. Mas eu sempre quis que alguém o desvendasse e conseguisse enxergar tudo aquilo que a Bela enxergou na Fera, que me conhecesse além da matéria de que é formado o meu corpo, além dos meus olhos castanhos escuros, dos meus cabelos sem uma cor definida, das minhas unhas curtas e dos meus dedos minúsculos dos pés, e de todos os “defeitos” que meu corpo físico carrega. Será que é tão difícil amar o coração de uma pessoa? Será que as pessoas perderam o verdadeiro sentido de se apaixonar?
É fácil se apaixonar por aquela pessoa que é, perante a sociedade, perfeita. É muito fácil… Fácil porque é cômodo. Porque é normal.
Ainda bem que jamais fui normal! Eu quero me apaixonar pelo coração de alguém. Quero enxergar além daquilo que a pessoa é. Quero enxergar os seus defeitos, seu modo de ser e descobrir cada pequeno detalhe do seu coração. E a cada descoberta sentir um novo tipo de amor por tudo aquilo que aquela pessoa é.
Sempre penso na Fera proferindo a seguinte frase da música Heart like yours, interpretada pela banda fictícia Willamette Stone do filme E se eu ficar: “Como pode um coração como o seu amar um coração como o meu?”.
A Fera não compreendia razão da Bela ter se apaixonada por ele. Não compreendia  como um coração tão bom e puro pode se apaixonar por uma criatura igual a ele. Mas o que a Fera não sabia é que não era necessário compreender porque nós nunca compreendemos a razão de nenhum sentimento.
Apenas sentimos.
E sentir é uma graça.
E se apaixonar pelo coração de alguém, além de qualquer outra coisa, é se apaixonar exatamente pelo que a pessoa é.
Amar o coração de alguém é o ápice inevitável do amor em sua plena virtude.

Como pode um coração como o seu
Amar um coração como o meu?
Como eu poderia viver antes?
Como eu pude ser tão cego?
Você abriu meus olhos.
Mantenha a esperança rápida
Todo o seu amor é tudo o que eu já conheci
Mantenha a esperança rápida
Todo seu amor é tudo o que eu já conheço.
Heart like yours – Willamette Stone

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s